sábado, 21 de maio de 2011

Saudade...

 
Palavra sem tradução.
Uma simples palavra, que exprime tantos significados: ausência, nostalgia, perca, distância, lembrança...
Quem nunca sentiu Saudades? 
Do brinquedo preferido, da melhor amiga da infância, dos tempos do colégio, da comida da vovó, de um grande amor, de alguém que se foi, de um lugar especial, de uma festa inesquecível...
Está presente nas canções... Sempre nos remetendo a necessidade da presença e o retorno ao passado.
 
Atinge a todos sem distinção de idade, sexo, credo ou classe social...
Saudade é quando se deseja a presença de alguém como se necessita do ar, as horas não passam, os dias parecem iguais... aquela vontade de voltar no tempo e reviver sensações indescritíveis, de ser feliz novamente.
Aquele aperto no peito, como se a ausência fosse maior que si mesmo...
Como se nada fizesse sentido... Perdendo-se nas lembranças de algo que não está presente.
A dor da Saudade dilacera, aperta, faz sangrar corações que batem descompassados e tristes esperando ansiosos por uma nova chance.
Tem algo melhor do que matar as Saudades?
Naquele abraço tão desejado, na voz daquele que se ama, "naquele" perfume, no retorno a um lugar que te fez feliz, nas fotos de um tempo bom...
Não que a saudades seja algo ruim que precise ser extinto... Apesar de nos causar dor, ela nos ensina a valorizar o que nos é especial...
A distância daquilo que se deseja com todas as forças nos faz perceber o que é essencial, o que é verdadeiro...
Às vezes a perda nos ensina isso do pior modo... e a saudade nesses casos nos consome vagarosamente,
nos faz soluçar baixinho o arrependimento de não ter feito as coisas de uma forma diferente, e a ausência doída de algo que se foi para sempre nos mostra uma saudade inconsolável, irremediável, que não poderá ser suprida com a presença... Só com as lembranças.
Vamos sentir menos saudades...

Amar mais,
Retornar aos lugares que nos fizeram felizes,
Não deixar o tempo nos consumir,
Não abdicar do que nos faz bem,
Sorrir quando der vontade,
Abraçar as oportunidades,
Pedir perdão, 
Valorizar o que realmente tem valor,
Lutar pelo o que se deseja.
E jamais desistir de alguém, de algo ou de você mesmo.

 Carla Fernand's ♥

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eu?

Às vezes aparento estar fora do ritmo comparada aos demais...  Diferente demais, estranha demais, instável demais, aos olhos céticos de quem não entende e aos corações fechados daqueles que não sabem amar.
E isso por muito tempo roubou meu sono... Por que eu desejava de forma vã ser igual aos outros e não me encaixava nos padrões, nos comportamentos e opiniões.

Inúmeras vezes perguntei à Deus por que eu não fazia parte do lote pré-fabricado do resto da sociedade, parecia mais uma peça defeituosa rejeitada e sujeita à indiferença...
E o tempo passou... e no auge dos meus 20 e poucos anos, depois de levar muitas topadas e muitas pancadas de um mundo que eu julgava não me aceitar...
Entendi...
Que 1+1 não é = a 2. Que a resposta dessa operação matemática não é tão simples assim, pode ser 3 ou 6 ou até 36726382638²³²¹, só não responda isso na sua prova. Por que você pode ser taxado de bruxa e ser queimada na fogueira. 


E isso não mudou... pensar diferente é confrontar os pensamentos arcaicos e enraizados em preconceitos pré-históricos. E ser diferente... é algo que não ficou para todos.
Dói, machuca quando você se importa com o que os outros pensam.
Sempre pensei que ser diferente era ruim... Que não pensar igual aos outros era ser anormal... E não conseguir seguir o que é enfiado guela a baixo pela mídia era ser demodê.


Mas foi quando eu me cansei de querer ser igual aos outros, que eu percebi que ser esse monte de recortes assimétricos com oscilações sentimentais instáveis, no fundo é bom...
E foi a partir desse mergulho profundo no âmago do meu ser que eu recuperei a minha essência que eu havia perdido na infância. 


Hoje eu sou infinitamente mais Feliz, cheia de cicatrizes de guerra, faltando alguns pedaços e com alguns enxertos, deformações que aos olhos de alguns tomam um aspecto monstruoso que os repelem para longe, e é justamente o efeito que eu desejo, distância desses "alguns" que não conseguem ver a beleza intrínseca do meu ser, sem máscaras ou extereótipos. 

Quero perto de mim  "uns" poucos e raros, aqueles que transpiram verdade e exalam gentileza, que tem aura de anjo, que tem olhos de luz, que tem sorriso de paz e lágrimas coloridas... Gente que gosta de gente... Sem preconceitos descabidos, sem exigências... simplesmente do jeito que se é. Só não quero donos da verdade, não quero exibicionismo, nem hipocrisia... Seja frio, louco, errante, só não queira ser algo que não se é, só não esconda o que és de mim, não fique em cima do muro quando tiveres uma decisão a tomar, seja ela se é coca-cola ou suco de laranja sem açucar, ou se vai ficar aqui e casar com seu grande amor ou ir embora ser voluntária na reconstrução do Japão... 
Não suporto camaleões daquela espécie mais vagabunda (que me perdoe a palavra), vira-lata, que mudam de personalidade (cor) de acordo com a situação tentando se adequar a cada tipo de ambiente, tentando na verdade agradar a gregos e troianos e tendo várias opiniões formadas para cada situação ou pessoa diferente...
Não tenho a mesma opinião que tinha ontem, todos os dias aprendo algo novo que acarreta mudanças dentro de mim... A minha opinião evolui de acordo com minhas aquisições intelectuais, emocionais e espirituais e não de acordo com o que fulano ou beltrano "acha", as pessoas não tem esse poder sobre mim. E espero ser respeitada por isso, assim como respeito as opiniões alheias mesmo que não concorde. 
Eu realizo minhas escolhas e pode ser o maior erro do mundo! Mas eu não permaneço em cima do muro, apesar da turbulência das minhas indecisões... Eu perco, saio ferida, quebro a cara, mais eu vivo de acordo com minha verdade e não me escondo das consequências dos meus erros, nem delego aos outros o que me cabe. 
Em meio a alguns dilemas, sempre em dúvida sobre tudo e qualquer coisa, controversa e caleidoscópica... assim vou eu até a eternidade.



Carla Fernand's